domingo, 10 de maio de 2009

Nota do Núcleo PSOL UERJ/Maracanã

O PSOL é uma aposta da esquerda brasileira, porém, certos acontecimentos influenciam negativamente o futuro e os rumos do partido. Vemos setores na direção do partido pautando a luta contra a corrupção como o norte da política partidária. No entanto, as críticas à corrupção não podem estar no centro do debate político, ainda mais se o partido tem a intenção de ser uma alternativa estratégica ao quadro político atual.

O dia 2 de abril foi sintomático deste equívoco. O ato foi uma forma de construir o delegado Protógenes como figura pública. Para isso foram utilizados recursos da fundação Lauro Campos. A publicidade deste ato foi intensa (carros de som, banners, outdoors). Porém, qual o seu acordo programático com as linhas do partido? Em que instâncias partidárias isto foi discutido?

É válido que o PSOL se solidarize para com o mesmo, mas não faz sentido construí-lo como uma figura heróica. Além disso, o delegado tem declarações que vão de encontro com diversas frentes de atuação do partido, notadamente as de direitos humanos. Numa recente entrevista, o delegado afirma que as leis processuais no Brasil favorecem os bandidos. Frases como esta só servem para aumentar a criminalização da pobreza, uma vez que os principais alvos das agências penais são os mais desfavorecidos, de modo que leis mais duras (e as nossas já são) significam leis mais duras para os pobres.

O PSOL tem sido partícipe de diversas frentes políticas interessantes que conseguem dialogar com os movimentos sociais e produzir estratégias de enfrentamento ao capital, bem como esboçam um projeto emancipatório de sociedade, mas tais experiências são colocadas em segundo plano quando o assunto é corrupção. Isso é inaceitável! Esta postura seqüestra a política real, faz com que a atuação do partido se volte para as intrigas palacianas, não conseguindo dialogar de forma concreta com os sujeitos históricos que deveriam ser os destinatários das políticas propostas pelo PSOL.

A luta contra a corrupção pode ter sim um aspecto anticapitalista (já que o sistema político vigente não pode funcionar sem a sonegação de impostos, evasão de divisas e a compra de autoridades), mas a esquerda não pode somente ficar na posição de criticar as mazelas, mas sim propor alternativas e intervir concretamente na realidade. Nós não somos simplesmente um partido de homens e mulheres de bem, somos um partido de socialistas, que lutam pelo governo dos trabalhadores.

Devemos aproveitar o período de debates para o II Congresso do PSOL para discutir os focos do partido e construir um partido militante como instrumento das lutas dos trabalhadores.

Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2009

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