por Chico Alencar*, publicado no jornal O Dia (11/02/2009)
O Fórum Social Mundial, reunido pela nona vez, contou com 92 mil participantes e 5.716 delegações vindas de 145 países, 75% delas da América Latina. O encontro – com mais de 1.400 debates e atividades culturais –, em Belém (PA), aproximou os participantes da biodiversidade amazônica, com suas 100 mil espécies de flora e fauna ameaçadas pelo desmatamento. No ritmo atual, ele corresponderá, ao fim da terceira década deste século, ao território de 32 Bélgicas. Um verdadeiro “ecocídio”!
Habitada há pelo menos 40 mil anos, a Amazônia fornece 20% das águas dos oceanos, mas seus povos originários continuam sendo dizimados cultural e materialmente, e a privatização dos recursos hídricos pode fazer da floresta um deserto. O cultivo da soja cresceu 18% e os lençóis freáticos estão mais vulneráveis.
O Fórum Social Mundial é contraponto ao Fórum Econômico de Davos, que também acaba de acontecer, nos Alpes suíços. Ali, os ricos e poderosos do mundo discutiram “como salvar o capitalismo de si mesmo”, proclamando um “modo de sobrevivência” mais austero. Na prática, o alto empresariado e seus governantes amigos continuaram consumindo, no convescote, vinhos ao custo de R$ 4 mil a garrafa... Terão sensibilidade para com as vítimas da crise?
Num mundo que está jogando no desemprego 80 mil trabalhadores por dia, o Fórum Social não teve dúvidas em condenar o sistema do lucro e do mercado total, clamando por uma nova sociedade possível e necessária. Ela estará fundada na cooperação e não na competição, na justa distribuição e não na acumulação de poucos, no cuidado com o planeta e não na sua exploração, na atuação do poder público e não no livre negócio, no trabalho e não no capital.
* Professor de História e deputado federal (PSOL-RJ)
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